19.8.17

Estagnação secular (III)

A desaceleração do crescimento da produtividade do trabalho nos países desenvolvidos, na última década, foi ilustrada, nesta postagem, com dados para os Estados Unidos.

Timothy Lee postula, em artigo para Vox, que paradoxalmente estagnação da produtividade e rápido progresso tecnológico, na verdade, coexistiram, nesse período.

Seu argumento é que, quando a produtividade do trabalho se eleva em um setor da economia, a produção do setor pode se expandir ou se contrair. Inicialmente, ao baratear o produto, a inovação amplia o seu mercado, levando à expansão do setor que o fabrica. Com o passar do tempo, a demanda pelo produto é, em larga medida, satisfeita, de modo que aumentos subsequentes da produtividade que barateiam o produto levam principalmente a redução dos gastos com sua aquisição. O setor passa, então, a se contrair, no sentido de que passa a responder por uma parcela decrescente da renda e do emprego.

Isso é o que parece ter acontecido no conjunto da indústria de transformação, em muitos países, nas últimas décadas. O progresso técnico, neste setor, levou, no período mais recente, principalmente a melhoras de qualidade e redução do preço de produtos já existentes, com a introdução de novos produtos estando limitada quase só ao setor de informática (computadores pessoais, smartphones, DVD players, vídeo games etc.).

Com a redução decorrente da despesa com bens manufaturados, uma parcela crescente do orçamento das famílias passou a se dirigir para o setor de serviços pessoais (saúde, educação, alimentação fora do domicílio, entretenimento, cuidados com animais de estimação etc.), onde a produtividade do trabalho é baixa e se eleva lentamente, quando se eleva.

Essa mudança na estrutura da produção e do emprego na direção do setor de serviços pessoais explica a tendência à redução da taxa de crescimento da produtividade do trabalho.

Este é o paradoxo da produtividade – a redução da taxa de crescimento da produtividade agregada resulta do aumento da produtividade na indústria de transformação.

17.8.17

Distribuição geográfica da renda (PNB) mundial em 2016 - Regiões (fonte: Banco Mundial)


Regiões      Mundo=100
Ásia Ocidental e Pacífico          106
Europa e Ásia Central          191
América Latina e Caribe            93
Oriente Médio e Norte da África          117
América do Norte          364
Sul da Ásia            38
África Subsaariana            22

16.8.17

Distribuição geográfica do PIB mundial em 2016 - Países (fonte: Banco Mundial)


País
% do PIB mundial
% da população mundial
PIB per
  capita do mundo=100
PIB per
  capita EUA=100
China       17,8        18,5           96           27
Estados Unidos       15,5          4,3         360         100
Índia         7,2        17,8           40           11
Japão         4,4         1,7         259           72
Alemanha         3,3         1,1         300           83
Rússia         2,8         1,9         147           41
Brasil         2,6         2,8          93           26
Indonésia         2,5         3,5          71          20
Reino Unido         2,3         0,9        255          71
França          2,3         0,9        255          71
Total       60,7       53,4        114          32

18.7.17

Contração fiscal expansionista

Uma redução do déficit do governo pode ter efeitos expansionistas sobre a produção e o emprego? A experiência recente da Grécia é frequentemente citada como evidência contrária a esta hipótese.

Andrés Velasco, em artigo publicado em Project Syndicate, argumenta, entretanto, que, no atual contexto brasileiro, uma contração fiscal pode ser expansionista, porque pode ser acompanhada por redução da taxa de juros real e desvalorização da taxa de câmbio real, o que, para a Grécia, devido à sua condição de membro da zona do euro, não era possível.  

22.6.17

Curva de Phillips

A taxa de desemprego variou acentuadamente nos Estados Unidos, na última década, enquanto a taxa de inflação se manteve praticamente estável. Em particular, a taxa de desemprego se reduziu de 10%, em 2009, para perto de 4%, em 2017, sem que elevação significativa fosse observada na taxa de inflação.

A relação inversa entre taxa de desemprego e taxa de inflação, postulada pela Curva de Phillips, parece, assim, ter se enfraquecido ou desaparecido.

A Curva de Phillips é dada por

π = πe α (U U*) + μ

onde

π = inflação corrente

πe = inflação esperada

U = taxa de desemprego corrente

U*= taxa de desemprego natural

μ = choque de oferta

A revista The Economist avalia, neste artigo, três possíveis explicações para o fato de a inflação não ter se elevado, à medida que a taxa de desemprego se reduziu, nos Estados Unidos, nos últimos anos:

  • variação da taxa de desemprego natural em consonância com a taxa de desemprego corrente
  • choques de oferta favoráveis 
  •  redução da inflação esperada

27.2.17

Estagnação Secular (II)

A taxa média anual de crescimento da produtividade do trabalho nos Estados Unidos se reduziu, a partir de 2003, tendo, entre 2008 e 2016, alcançado menos da metade do valor observado entre 1996 e 2002, conforme os dados reproduzidos abaixo, originalmente publicados aqui.

Esta desaceleração do crescimento da produtividade, atribuída ao avanço mais lento do progresso técnico, constitui o fundamento empírico da hipótese de "estagnação secular" discutida na última postagem, que hoje tem Robert Gordon, professor da Northwestern University, como principal proponente.


Estados Unidos - Taxa de crescimento
da  produtividade do trabalho
 
1948 / 1973   - 3,3%
 
1974 / 1996   - 1,5%
 
1996 / 2002   - 3,3%
 
2003 / 2007   - 2,2%
 
2008 / 2016* - 1,3%
 
* até o terceiro trimestre

22.2.17

Estagnação Secular (I)


Na palestra mencionada na postagem anterior, Philippe Aghion discutiu também a hipótese da “estagnação secular”, recentemente proposta por alguns economistas.

De acordo com esta hipótese, a desaceleração da taxa de crescimento da produtividade do trabalho, observada, nos últimos anos, nos países desenvolvidos, reflete uma tendência de longo prazo – não vai mais haver crescimento econômico acelerado, porque as inovações de maior impacto já ocorreram.

Em relação a esta hipótese, Aghion contrapõe os seguintes argumentos:

·         As novas tecnologias da informação e comunicação não mudaram apenas a maneira de produzir bens e serviços, mas também a maneira de produzir idéias. A tecnologia para produzir idéias nunca foi tão boa quanto é hoje.

·         Continua a haver uma grande necessidade de inovações, em áreas como saúde, energia renovável e outras, e os incentivos para a inovação são imensos, porque os retornos da inovação nunca foram tão grandes como são agora – graças à globalização, o mercado para uma grande inovação é o mundo inteiro, de modo que os retornos são muito elevados.

·         Para muitos países, há ainda a vantagem do atraso. Através de "reformas estruturais", é possível aumentar significativamente a taxa de crescimento da produtividade, como fizeram recentemente a Suécia, Holanda e Canadá.

·         Pode estar havendo problemas na mensuração do crescimento econômico, levando à impressão errônea de que o crescimento desacelerou. Quando um bem hoje custa mais do que outro bem que atendia a mesma necessidade ontem, é preciso determinar quanto dessa diferença de preço se deve a inflação e quanto se deve a melhora da qualidade. Se é exatamente o mesmo bem, o aumento de preço se deve exclusivamente à inflação. Se há uma ligeira melhora da qualidade, é possível estimar de quanto ela foi e separar os dois efeitos. Mas, quando se trata de um novo produto substituindo um produto antigo, a questão é mais complicada e aumentos de preço devidos a melhora da qualidade podem ser equivocadamente computados como inflação. É possível que o crescimento da produtividade total dos fatores esteja sendo subestimado em um ponto percentual por causa desses problemas de mensuração (em lugar de 1,5%, seja, de fato, de 2,5%, o que não se pode chamar de estagnação).

20.2.17

Armadilha da renda média


Philippe Aghion, professor do College de France, foi o conferencista convidado para a 13th Raymond Aron Lecture, organizada anualmente pela Center on the United States and Europe, da Brookings Institution.

Com o título de “Can we make growth more inclusive?”, a palestra abordou alguns dos temas centrais do debate corrente sobre crescimento econômico.

Sobre a armadilha da renda média, Aghion apresentou os argumentos resumidos abaixo.

Há duas maneiras de gerar crescimento da produtividade. Uma é alcançar os líderes, alcançar a fronteira tecnológica (catching up). A outra maneira é inovar. As políticas que promovem o catching up são diferentes das políticas que promovem a inovação.

No processo de catching up, o crescimento se dá via imitação, com transferências de tecnologia, realocação de fatores de produção e adoção de práticas gerenciais melhores. Não importa muito se a competição no mercado de produto é limitada, nem se o mercado de trabalho é pouco flexível. Importa pouco não ter bons programas de pós-graduação ou não ter equity finance (bancos e subsídios bastam).

Quando se quer fazer inovação de fronteira, por outro lado, é importante ter competição, entrada e saída fáceis no mercado de produtos. Para as firmas na fronteira tecnológica, mais competição induz inovação, para escapar da competição pela entrada. Para as firmas tecnologicamente defasadas, mais competição tende a causar mais desencorajamento. Quanto mais avançado é um país, mais firmas ele terá na fronteira tecnológica e maior o efeito sobre o crescimento da liberalização do mercado de produtos.

Para crescer via inovação, é preciso também que o mercado de trabalho seja flexível, de modo que seja possível contratar rapidamente ou demitir, se há mudança de atividade.

O crescimento é um processo conflitivo, envolve um conflito entre o velho e o novo. Inovações, particularmente inovações de fronteira, deslocam tecnologias antigas. Os inovadores de ontem tendem a se tornar os incumbentes entrincheirados de hoje, que tentam evitar que surjam inovações. Alguns países lidam com este problema melhor do que outros. Há países que começaram a crescer via catching up e que deveriam, em determinado momento, ter passado para políticas que favorecem a inovação de fronteira, ter realizado o que se tem chamado de “reformas estruturais”, mas não fizeram isso, por causa dos resistência dos incumbentes. Essa pode ser uma explicação de porque é difícil a transição do crescimento baseado na imitação para o crescimento baseado na inovação e, portanto, de porque existe a armadilha da renda média.

31.10.13

Produtividade total dos fatores no Brasil - dados da PWT 8.0


A par da estagnação do capital físico por trabalhador entre 1984 e 2011 (taxa de crescimento de apenas 0,77% ao ano, neste período), o outro fator que explica a estagnação do produto por trabalhador no Brasil, nas últimas três décadas, é o acentuado declínio da produtividade total dos fatores.

A produtividade total dos fatores aumentou 2,3 vezes, entre 1950 e 1980, e declinou de maneira quase contínua[1], a partir daí, situando-se, em 2011, em um nível 27% abaixo daquele alcançado em 1980.

Fonte dos dados: PWT8.0


[1] As únicas exceções relevantes são os períodos 1993/96 e 2006/2010, em que a PTF aumentou às taxas de 1,80% a.a. e 1,40 a.a., respectivamente.

Capital físico por trabalhador no Brasil - dados da PWT 8.0


O produto por trabalhador (Y/L) no Brasil aumentou 3,8 vezes, entre 1950 e 1980, ao passo que, nas três décadas seguintes, se elevou em apenas 10%.

Um dos fatores que explicam a estagnação do produto por trabalhador, a partir de 1981, é a queda na taxa de crescimento da relação capital físico por trabalhador (K/L), mostrada no gráfico acima.

O capital físico por trabalhador aumentou 2,5 vezes, entre 1950 e 1983, permaneceu estagnado durante o restante da década de 80, voltou a se elevar na década de 90 e teve seu crescimento interrompido novamente a partir de 2000. Entre 1984 e 2011, aumentou apenas 24%.

Fonte dos dados: PWT 8.0

29.8.13

Produtividade do trabalho no Brasil - dados da PWT 8.0


O produto por trabalhador (Y/L) praticamente quadruplicou (aumento de 3,8 vezes) no Brasil, entre 1950 e 1980, o que corresponde a uma taxa média anual de crescimento de 4,54% (ver gráfico)[1].

A produtividade do trabalho declinou acentuadamente na década de 80, com uma redução acumulada de 16%, entre 1980 e 1992. Embora tenha se recuperado a partir de 1993, ainda se encontrava em 2006 no mesmo patamar alcançado em 1980.

Entre 2007 e 2011, a produtividade do trabalho voltou a se elevar, apresentando, neste período, uma taxa de crescimento média de 2,10% ao ano.

Para o conjunto do período 1950/2011, a taxa média de crescimento anual do produto por trabalhador foi de 2,36%.

Tendo em conta a projeção para a taxa de crescimento da população em idade ativa (15 a 64 anos) de 1,0% ao ano, entre 2013 e 2020, mantidas a taxa de aumento da produtividade do trabalho observada entre 2007 e 2011 e a atual taxa de emprego (proporção dos empregados na população em idade ativa), a taxa de crescimento do PIB potencial no Brasil deverá se situar em torno de 3,0% ao ano, no restante da década.

Fonte dos dados: PWT 8.0


[1] Nestas estimativas, baseadas na série RGDPna da Penn World Table 8.0, não se desconta o efeito de mudanças nos termos de troca sobre o PIB e, portanto, sobre o produto por trabalhador.

3.8.13

Crescimento econômico no Brasil entre 2003 e 2011

De acordo com os dados da Penn World Table 8.0, o crescimento acumulado do PIB, no Brasil, durante o período 2003/2011 foi de 31,6%, implicando um aumento do PIB per capita de 20,0%, ou 2,04% ao ano.

No mesmo período, o crescimento acumulado do PIB por trabalhador foi de 6,0% (ou 0,65% ao ano), enquanto a proporção da população empregada aumentou de 45% para 51% (1,39% ao ano).

Duas conclusões importantes podem ser extraídas das informações acima:

(1) O crescimento do PIB por trabalhador no Brasil foi bastante baixo, entre 2003 e 2011. À taxa de crescimento anual observada neste período, são necessários 108 anos para dobrar o produto por trabalhador.

(2) Cerca de dois terços (68%) do crescimento do PIB per capita durante o governo Luís Inácio-Dilma se deveu ao aumento da proporção dos empregados na população total.

Note-se que os dados acima não captam integralmente a melhora do padrão de vida médio verificada no Brasil no período 2003/2011, porque refletem apenas o impacto do aumento da capacidade produtiva do país (medido pela série RGDPo, na Penn World Table 8.0) sobre o padrão de vida.

Como é bem sabido, o Brasil se beneficiou neste período de termos de troca favoráveis com o exterior, os quais na PWT 8.0 são levados em conta na série RGDPe[1]. O aumento acumulado da renda no Brasil, entre 2003 e 2011, quando o efeito dos termos de troca favoráveis é computado, o que corresponde à medida mais adequada da melhora do padrão de vida médio, foi de 39,6%, implicando um aumento per capita de 2,72% ao ano.

Em resumo, ao longo do período 2003/2001, tem-se no Brasil:

  • crescimento do produto por trabalhador (a) = 0,65% a.a.
  • crescimento da taxa de emprego – L/POP (b) = 1,39% a.a.
  • crescimento da renda per capita devido ao aumento da capacidade produtiva (a+b) = 2,04% a.a.
  • crescimento da renda per capita computado o efeito dos termos de troca favoráveis (c) = 2,72% a.a.
  • crescimento da população (d) = 1,03% a.a.
  • crescimento da renda total (c+d)= 3,78% a.a.
Assim, a expansão do emprego responde por cerca de metade da melhora do padrão de vida médio no Brasil, entre 2003 e 2011, com os ganhos de produtividade e os termos de troca com o exterior favoráveis respondendo, em proporção aproximadamente igual, pela outra metade daquela melhora.

Com o mercado de trabalho tendo se aproximado recentemente da situação de pleno emprego e sem a perspectiva de ganhos adicionais nos termos de troca com o exterior, a melhora do padrão de vida doravante dependerá principalmente do aumento da produtividade do trabalho, o qual, no entanto, como se mostrou acima, foi muito baixo na economia brasileira, na última década.



[1] Na definição adotada pela PWT 8.0, os termos de troca com o exterior são favoráveis a um país quando este exporta (importa) um dado produto a um preço maior (menor) do que o preço médio mundial.

2.8.13

PIB per capita do Brasil - dados da PWT 8.0

De acordo com a mais nova versão (8.0) da Penn World Table, o produto per capita do Brasil equivalia, em 2011, a 20,7% do produto per capita dos Estados Unidos[1].

O PIB per capita (Y/POP) de um país depende do PIB por trabalhador (Y/L) e da proporção da população total do país que está empregada (L/POP).

O hiato entre os produtos per capita do Brasil e dos Estados Unidos, em 2011, é mais do que explicado pelo hiato no produto por trabalhador, que, no Brasil, é apenas 18,3% daquele verificado nos Estados Unidos[2].

Como a proporção da população empregada no Brasil (51%) era maior do que nos Estados Unidos (45%) em 2011, o hiato do PIB per capita era algo menor do que o hiato no PIB por trabalhador.

O produto por trabalhador é uma função do capital físico por trabalhador (k), do capital humano por trabalhador (h) e da eficiência com que estes recursos produtivos são utilizados, a chamada produtividade total dos fatores (A):

Y/L = y = A kα  h 1-α

onde α é a elasticidade do produto em relação ao estoque de capital físico, equivalente, sob certas hipóteses, à participação do capital na renda.

A PWT 8.0 também traz informações sobre k e h, indicando que os valores de k e h no Brasil equivalem a 22% e 68%, respectivamente, dos valores observados nos Estados Unidos.  Supondo α=0,45, conforme estimado pela PWT8.0, isso implica que a produtividade total dos fatores no Brasil corresponde a apenas 44% da americana.

Se fosse possível elevar a PTF brasileira ao nível americano, tudo o mais constante, o produto por trabalhador brasileiro aumentaria 2,3 vezes. Um aumento do capital físico por trabalhador do Brasil para o valor observado nos Estados Unidos, coeteris paribus, aumentaria o produto por trabalhador do Brasil em 95%, enquanto o mesmo efeito para um aumento do capital humano por trabalhador seria de 23%.

Depreende-se da análise acima que o hiato do produto por trabalhador entre Brasil e Estados Unidos é devido principalmente à baixa eficiência na utilização de recursos produtivos e à baixa relação capital/trabalho no Brasil.
 



[1] Para a análise conduzida nesta postagem, fez-se uso da série do PIB designada como CGDPo, na PWT 8.0. Informações sobre os procedimentos adotados para estimação desta série e de outras séries do PIB reportadas na PWT 8.0, que serão utilizadas nas postagens que se seguirão, podem ser encontradas aqui.
[2] Em termos do produto por trabalhador, dentre os países do G-20, o Brasil supera apenas a Índia, a Indonésia e a China, enquanto na América do Sul supera apenas a Bolívia e o Paraguai.

29.9.12

Distribuição geográfica do PIB mundial - 2011 (II) - Ranking dos países



A tabela acima mostra a participação das 10 maiores economias nacionais no PIB mundial (um clique do mouse sobre a tabela permitirá melhor visualização).

Os 10 países listados respondem por 62% do PIB e 52% da população mundial.

A economia americana sozinha concentra 18,6% do PIB global, apresentando uma renda per capita 4,1 vezes maior do que a média mundial.

China e Índia, apesar de responderem juntas por 19,6% do PIB mundial, são países bastante pobres, com rendas per capita correspondentes a 17,5% e 7,6%, respectivamente, da renda dos Estados Unidos.

O grupo de grandes economias desenvolvidas formado por Japão, Alemanha, França, Reino Unido e Itália tem renda per capita no intervalo entre 64% e 80% da renda americana.

O Brasil é um país de renda média. Respondendo por perto de 2,8% tanto do PIB como da população mundial, possui uma renda per capita igual à média dos 182 países pesquisados e equivalente a 24,2% da renda americana.

As informações sobre PIB e população em que se baseia a tabela foram produzidas pelo Banco Mundial.

18.9.12

Distribuição geográfica do PIB mundial - 2011 (I)


A tabela acima foi construída a partir de informações do Banco Mundial sobre o PIB e a população de 182 países, em 2011 (um clique do mouse sobre a tabela permitirá visualização adequada).

As estimativas para o valor em dólares do PIB dos países foram obtidas através de taxas de câmbio baseadas no conceito de paridade do poder de compra (PPC). Taxas de câmbio PPC, por atribuírem ao dólar o mesmo poder de compra em todos os países, possibilitam que se compare de maneira apropriada o produto de diferentes economias nacionais.

O PIB mundial alcançou o valor de 81,2 trilhões de dólares em 2011.

O PIB per capita mundial, dada a população de 7 bilhões de pessoas, foi de 11.640 dólares, naquele ano.

Os países de alta renda concentram 54% da produção mundial e abrigam apenas 16% da população. Os países de renda baixa e média, onde residem 84% da população mundial, respondem por apenas 46% do produto.

A renda per capita dos Estados Unidos é 4 vezes maior do que a renda média mundial e 21 vezes maior do que a renda média da África Sub-Sahariana, a região mais pobre do planeta.

A América Latina e Caribe tem renda per capita próxima da renda média mundial.

8.5.12

Deflação

Desde o início da crise financeira internacional em 2008, os Bancos Centrais das economias desenvolvidas estão empenhados em evitar que a deflação, ou seja, uma queda generalizada de preços, se estabeleça, em decorrência da insuficiência de demanda agregada.

Por que uma deflação causada pela insuficiência de demanda é considerada indesejável? O principal motivo é que a deflação pode provocar novas reduções da demanda agregada, agravando a recessão e mesmo levando a economia a uma depressão.

A deflação pode causar redução da demanda agregada através dos seguintes canais:

1. Se os consumidores esperam uma queda futura de preços, podem adiar suas compras, reduzindo o gasto em consumo.

2. A redução dos salários pode afetar a confiança das famílias e, portanto, de novo, a sua propensão a consumir.

3. Quando a taxa de juros nominal alcança o seu limite inferior, ou seja, chega a zero, a deflação pode causar um aumento da taxa de juros real, o que induzirá a redução dos gastos em consumo e investimento e das exportações líquidas.

4. A deflação aumenta a dívida das famílias e empresas em termos reais, o que pode levar a queda das despesas de consumo e investimento.

5. Se, em decorrência do aumento da taxa de juros real e do valor das suas dívidas, em um contexto já recessivo, a inadimplência de famílias e empresas aumenta, uma crise financeira pode ocorrer. A consequente redução do crédito provocará queda da demanda agregada.

6. A compressão dos lucros, decorrente da queda dos preços, combinada com o aumento da taxa de juros real, pode causar um colapso do gasto em investimento das empresas.

23.4.12

Variação nos termos de troca e taxa de crescimento do PIB no Brasil


Nas análises sobre crescimento, convém ter sempre em mente o alerta de Easterly, Kremer, Pritchett e Summers (1993):

"Com algumas poucas e famosas exceções, os mesmos países não são bem sucedidos período após período; os países costumam ser 'histórias de sucesso', em um período, e fracassos, no período seguinte".

Easterly, Kremer, Pritchett e Summers  (1993) sugerem que boa parte desta variância das taxas de crescimento pode ser explicada por choques relacionados com os termos de troca. Quando variáveis medindo tais choques são acrescentadas a equações de crescimento do tipo Barro, elas apresetam um elevado poder explicativo. O fato de que estes choques apresentam, eles próprios, uma persistência reduzida é apontado como uma evidência a mais de sua relevância para a explicação das (também pouco persistentes) taxas de crescimento.

O gráfico acima mostra a estreita conexão entre a variação nos termos de troca e a taxa de crescimento do PIB no Brasil, durante o período 1995/2011. O coeficiente de correlação simples entre as duas variáveis é 0,71. A regressão sugere que um aumento de 10% nos termos de troca está associado a um aumento absoluto de 2,5 pontos percentuais na taxa de crescimento do PIB.

O índice dos termos de troca com o exterior se elevou em 36,7%, entre 2004 e 2011, e certamente contribuiu para a aceleração do crescimento, verificada naqueles anos. Estes ganhos, entretanto, provavelmente tenderão doravante a ser revertidos, pelo menos em parte.


Referência: Easterly, W.; M. Kremer; L. Pritchett e L. Summers (1993). Good policy or good luck? Country growth performance and temporary shocks, Journal of Monetary Economics 32, p. 459-483.

24.2.12

Evolução da produtividade do trabalho no Brasil - 1950 / 2010


Produto por hora (US$ de 2011) - 1950 / 2010

A produtividade do trabalho triplicou no Brasil, entre 1950 e 1980, elevando-se de 3,04 dólares por hora para 9,09 dólares por hora (preços de 2011), de acordo com as estimativas da Total Economy Database. A partir de 1980, a produtividade do trabalho declina, tendo a média do período 1981-1994 alcançado 8,27 dólares por hora. Apenas em 1995, a produtividade do trabalho retornaria ao nível atingido em 1980, elevando-se, a partir daí, a uma taxa média anual de 0,76%, entre 1995 e 2003, e de 1,69%, entre 2004 e 2010, alcançando 10,59 dólares, neste último ano.

26.12.11

Crescimento da população em idade ativa

Crescimento da população em idade
ativa (15 a 64 anos) no Brasil - % ao ano

1980 / 1990 - 2,6%
1990 / 2000 - 2,3%
2000 / 2010 - 1,6%
2010 / 2020 - 1,2%
2020 / 2030 - 0,3%

Fonte: IBGE

24.12.11

Custos da mão de obra industrial no Brasil

Dados reportados em artido de Alex Ribeiro, na edição do Valor Econômico deste fim de semana:
"Os custos de mão de obra industrial no Brasil subiram 24% em 2010, para US$ 10,08 a hora, puxados pela valorização do câmbio e aumento real de salários, mostram estatísticas compiladas pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, que comparam 34 das mais importantes economias industriais do mundo. Ainda assim, o Brasil tem custo de mão de obra industrial maior que apenas 6 dos países incluídos na amostra, entre eles a Polônia (US$ 8,01 a hora) e o México (US$ 6,23). O custo mais baixo é nas Filipinas, com US$ 1,90 a hora. Por deficiências estatísticas, o levantamento não inclui Índia e China, mas as indicações são de que nesses países os custos são bem mais baixos do que no Brasil. O custo mais alto de mão de obra é o da Noruega, com US$ 57,53 por hora, num conceito que inclui salários pagos aos trabalhadores e benefícios. Nos Estados Unidos, o custo médio é de US$ 34,74 a hora, o que representa mais de três vezes o custo de produzir no Brasil. A Argentina tem custo pouco mais alto que o Brasil, com US$ 12,66 a hora".

Lei da oferta e da procura


Como se vê na fotografia acima, a mercadoria em questão, cujo preço foi reduzido em 74%, padece de insuficiência de demanda.

16.12.11

Economistas e teoria econômica - a má reputação é merecida

Economistas talvez sejam free riders natos. Estudar teoria econômica pode transfomar bons cidadãos em  free riders. Leia aqui.

Adendo: N. G. Mankiw comenta o artigo nesta postagem.

13.11.11

Taxa de matrícula no ensino superior no Brasil

Informações de editorial da Folha de São Paulo -10 de novembro de 2011:
"De acordo com dados do Censo da Educação Superior de 2010, o número de alunos em algum curso de graduação já soma 6,4 milhões de estudantes, no Brasil. Em uma década, a alta foi de 110%. Entretanto, nossa taxa de escolarização bruta no ensino superior (a relação entre o número de alunos matriculados e a população de 18 a 24 anos) é de 36% (dados de 2009), praticamente a mesma do Paraguai (37%) e bem abaixo dos 59% do Chile ou 69% da Argentina. Quando a comparação é com os países desenvolvidos, o fosso se aprofunda. Na Espanha, são 73%, nos EUA, 89% e, na Finlândia, 92%".

29.10.11

Determinantes do hiato de produtividade entre o Brasil e os Estados Unidos

Por que a produtividade do trabalho (Y/h) no Brasil equivale a apenas 17,1% da produtividade americana (10,59 dólares por hora, em comparação com 61,75 dólares por hora, em 2010)?

Para responder a esta pergunta, faz-se uso da decomposição proposta por Hall e Jones (1999), derivada do modelo de crescimento de Solow, ampliado para incorporar a contribuição do capital humano.

Na decomposição de Hall e Jones (1999), supõe-se que a função de produção é do tipo Cobb-Douglas, sendo o produto por hora dado por

(Y/h) = A (e ^ r u) {(K/Y) ^ [(a/(1 - a)]}

onde

A = produtividade total dos fatores (PTF)
K = estoque de capital físico
e ^ r u = capital humano por trabalhador
r = retornos da educação
u = escolarização média

Seguindo Hall e Jones (1999), admite-se:

• participação do capital na renda (a) de 1/3.

• retornos da educação decrescentes e equivalentes a 13,4% para os primeiros 4 anos de escolarização, 10,1% para os 4 anos seguintes e 6,8% para os anos restantes.

• relação capital-produto no Brasil equivalente a 76,2% da americana.

Para estimativa do capital humano por trabalhador, dados os retornos acima mencionados, recorreu-se ainda a Barro e Lee (2011), que reportam 7,178 anos e 13,27 anos como a escolaridade média da população de 25 anos e mais no Brasil e nos Estados Unidos, respectivamente, em 2010.

Tomando-se o valor para os Estados Unidos como equivalente a 1, as estimativas para o Brasil dos três termos que compõem a equação (1) foram:

A = 0,305
e ^ ru = 0,643
(K/Y) ^ [a/(1 - a)] = 0,873

Assim, se a relação capital-produto no Brasil fosse igual à dos Estados Unidos, tudo o mais constante, o produto por hora brasileiro seria 19,6% do americano (em lugar de 17,1%), enquanto a razão entre as produtividades do trabalho, obtida atribuindo-se ao Brasil o mesmo capital humano e produtividade total dos fatores dos Estados Unidos, seria 26,6% e 56,1%, respectivamente.

Em outras palavras, seria possível mais do que triplicar a produtividade do trabalho no Brasil se a economia brasileira apresentasse o mesmo nível de eficiência produtiva alcançado pela economia americana, enquanto o impacto sobre o produto por hora de elevar para o nível americano os valores da relação capital-produto e do capital humano por trabalhador seria de 15% e 56%, respectivamente.

Este exercício sugere, portanto, que a diferença na produtividade do trabalho entre o Brasil e os Estados Unidos se deve fundamentalmente à ineficiência na utilização de fatores de produção no Brasil.

Tal conclusão não se alteraria substancialmente caso se adotasse: (i) a estimativa de Heston, Summers e Aten (2011) de 19% para a razão entre os produtos por hora brasileiro e americano em 2009, (ii) o valor de 0,4 para a participação do capital na renda, sugerido por Ferreira, Pessoa e Veloso (2011), e (iii) uma estimativa algo inferior à de Hall e Jones (1999) para a relação capital-produto no Brasil (66,7% da americana). Nesse caso, a produtividade total dos fatores no Brasil corresponderia a 38,7% do que é observado nos Estados Unidos, continuando a explicar a maior parte do hiato do produto por hora.

A estimativa de uma PTF no Brasil equivalente a 30,5% (38,7%) da PTF americana foi obtida, seguindo Hall e Jones (1999), a partir da função de produção agregada com progresso técnico Solow-neutro, isto é, da função Y= (K^a) [A (e^ru) h]^(1-a). Caso se tivesse adotado, neste exercício, a função de produção agregada com progresso técnico Hicks-neutro, isto é, a função Y= A (K^a) [(e^ru) h]^(1-a), a estimativa da PTF brasileira corresponderia a 45% (56,6%) da PTF dos Estados Unidos.


Referências

Barro, R. e J. Lee (2011). Barro-Lee Education Attainment Data Set.

The Conference Board (2011). Total Economy Database.

Ferreira, P., S. Pessoa e F. Veloso (2011). On the Evolution of TFP in Latin America. EPGE Ensaios Econômicos no. 723.

Hall, R. e C. Jones (1999). Why Do Some Countries Produce So Much More Output Per Worker Than Others? The Quarterly Journal of Economics, 114(1), pags. 83-116.

Heston, A., R. Summers e B. Aten (2011). Penn World Table Version 7.0, Center for International Comparisons of Production, Income and Prices at the University of Pennsylvania.

Maddison, A. (2010). Historical Statistics of the World Economy 1-2008 AD.